Every Day, just for you

Every day to me is a different day.

Every day is a new chance.

Every day is a new hope.

Every day I dream my same old/new dream.

Every day I'm getting closer to you.

Every day I'm more sure.

Every day I do realize that I love you even more

Than yesterday.

Every day.

Valores

Sabia álgebra, latim, inglês, francês, anatomia. Aliás, sabia de tudo um pouco. Era a enciclopédia da família, o pequeno Jimmy. Pequeno só na maneira de falar. Com o passar dos anos ganhou uma altura generosa, e problemas para alcançar algo no alto ele não tinha. Mas enfim...
Jimmy cresceu no meio de livros, enciclopédias gigantes. Tinha sede de saber. Quando criança, não tinha interesse em brincadeiras tolas. Só queria aprender. Isso era impressionante e motivo de orgulho no começo. Mas com tantos conhecimentos, e sem nenhuma fantasia, Jimmy cresceu frio, calculista, sem brilho. Digamos que toda a sua altura exterior cobria a pequenez interior de seu ser.
Aos 11 anos, Jimmy deu seu primeiro sinal de emptiness. Ao ver um passarinho com a asa quebrada, embaixo do escorregador do parque da escola, o menino pisou na pequena cabeça da ave, matando-a imediatamente e a escondeu ali mesmo. A professora perguntou porque ele havia feito aquilo, e ele respondeu que apenas a salvou do sofrimento. Na verdade, em sua cabeça, ele não enxergava motivos para curar uma criatura que não fazia diferença em sua vida. E se a asa havia quebrado, era um sinal de que o pobre deveria morrer.

Passaram-se assim diversos episódios em sua infância-adolescência. Tudo que não lhe fazia diferença, ele descartava como uma casca de banana após esta ser consumida. Seus pais eram ocupados demais para notar que em meio de todo o conhecimento que o menino adquiria com os livros e enciclopédias, seus sentimentos humanos estavam desaparecendo. Talvez seja porque seus pais também não eram exemplos divinos de pessoas sensíveis, a não ser que o assunto fosse dinheiro ou status.

De qualquer forma, o pequeno Jimmy cresceu, exteriormente, claro. Cresceu e durante a adolescência, de alguma forma, teve um breve sentimento de ternura por alguém. E foi só isso. Aquela pequena menina de cabelos cacheados, quando completou quinze anos, se mudou e com ela levou toda aquela ternura, ou impressão de ternura, que ele poderia sentir.
Foi num sábado que a viu no parque, brincando com o pastor alemão. Jimmy achou graça em como seus cabelos negros pareciam molas ao vento. A ternura durou alguns meses, mas nada que Jimmy levasse tão a sério... Lia nos livros científicos esse sentimento de atração, e percebeu que isso passaria. Passou.

Na universidade, se concentrava em ser o maioral intelectual, não saía, não ria muito, só estudava Queria ser grande em seu ramo, queria poder, ordem, autoridade.
Com todo aquele intelecto, não demorou muito para que seu sonho se tornasse realidade.

Sua família sempre lhe questionava sobre casamento, mas ele dizia que casamento era um status, uma ilusão. Na faculdade teve algumas experiências com mulheres, mas nada que deixasse se comprometer. Se fechara para o sentimento, só tinha em si a razão.

Com o tempo, o trabalho ocupou sua vida de tal maneira que nem seus pais ele via mais. Estava sempre em reuniões, conferencias, ganhando dinheiro, mostrando autoridade. Seu pai faleceu quando ele tinha 37 anos. Na última vez que o vira, tinha 33. O velho pensava e se arrependia, em seus últimos dias, dos conselhos que não chegou a dar ao filho. Sua mãe morreu em um asilo, Jimmy, que agora era James, o cabeça, não tinha tempo para dar-lhe atenção. Não se lamentou sobre o que faltou na educação do menino porque sua doença lhe tirara toda a memória.

Envelheceu sozinho, teve uma velhice saudável materialmente, digamos assim. Morreu sozinho, mas como ele dizia, todo mundo morre. Em seu funeral, os empregados começavam a disputar suas ações e bem deixados. Os outros conhecidos comentavam como era inteligente, sagaz, competente.

Não deixou esposa, filhos ou herdeiros. Deixou dinheiro, jóias, carros importados, multi-nacionais. Morreu sabendo álgebra, latim, inglês, francês, anatomia. Nunca soube o que é o amor, a paz, a fé. Em seu túmulo, apenas um epitáfio simples de aqui jaz... E jazia. Jazia um ser humano que teve tudo, mas não teve nada.

Alice

Seus grandes olhos observavam tudo, assustados, com medo. Castanhos escuros, só para constar. Copiava a lição vagarosamente, pois qualquer outra coisa lhe tirava a atenção. Alice era assim. Dificilmente era vista brincando. Parecia que tudo gerava desconfiança. Mas só tinha sete anos! Onde estaria a sua loucura infantil, sua sede de aventuras e brincadeiras no escorregador, no gira-gira? Eu não consegui ver isso nos primeiros dias. Aliás, me custaram algumas semanas para que algum "progresso" nessa parte fosse notado por mim. Mas mesmo quieta, desconfiada, vagarosa, Alice me despertou um interesse de observação enorme. Todos os dias eu procurava avaliar seus gestos, suas palavras. Palavras curtas, quietas, baixas e breves. Comecei a puxar conversa, a incentivar. Alguma coisa me dizia que o progresso viria. Um dia, enfim, ela começou a mudar. Seus gestos com tempo se mostraram mais seguros, preciosos, espontâneos. Ela tinha o direito de ser criança, e acho que acabou descobrindo isso. Ainda assim, permanecia calada, observando. Não sei ao certo o que gerava aquela desconfiança toda e também não sei se realmente ela era desconfiada. Mas alguma coisa a impedia de se soltar. Um dia desses, no parque, as outras crianças brincando, ela resolveu se misturar. Era bonito de ver. As crianças fizeram uma roda, para brincar de morto-vivo. Brinca Alice, eu disse. Ela balançou a cabeça negativamente. Começaram a brincar, e eu deixei que ela ficasse quieta, sem questionar. Com o animo da brincadeira, ela pareceu se interessar, e do nada, entrou na roda. Dali para outras brincadeiras foi um pulo. E eu gostei. Ela começava a se enturmar, a descobrir as delícias de brincar com as outras crianças sem se preocupar com outras coisas.

Os dias passaram, e ela teve recaídas. Mas sempre se recuperava, ficava esperta do nada. Ia do dia, do tempo, da hora. Hoje, fiquei sabendo que ela mudará de escola. Vendo-a partir, não vi em seus olhos o medo, o receio, e sim, a novidade. Espero que ela tenha momentos constantes como aqueles no parque, que se solte, que veja que nem tudo é tão sério. Porque eu juro, que naquele dia, eu vi Alice descobrindo maravilhas.

Pés no chão

Em meados de seus quinze anos procurava algo maior pra chamar de seu. Algo que fosse cinematográfico. Filmes sempre foram sua paixão, e seu irmão mais velho costumava dizer que ela precisava manter os pés no chão e aceitar que a realidade não era como nos filmes. Mas era tão bonito! Porque não acreditar em uma coisa tão bonita? As pessoas gostam de destruir sonhos. O que ela queria dos filmes, nem ela sabia direito. Podia um dia, do nada, se tornar uma cantora famosa. Ou viver um grande amor, num verão passado no litoral. O que ela queria era a magia. A música tocando ao fundo, as situações de humor.
Em meados de seus dezoito anos, chegava cansada do trabalho, ligava o computador e procurava músicas cuja melodia expressaria o que ela estava sentindo. O irmão mais velho casara, não morava mais ali, e sobre isso dizia que ela continuava doida, que devia se tocar pra realidade, achando que o mundo todo poderia se encaixar assim.
Aos vinte e cinco fez um curso de fotografia e saiu fotografando tudo que via por ai. O irmão mais velho se irritava com tantas fotos, especialmente as que ela tirava de sua sobrinha, e o flash atrapalhava seu jogo de futebol. Ela dizia que cada momento valia a pena ser registrado para a qualquer momento ser recordado. Ele retrucava, resmungando.
Aos trinta e quatro, ela fez aulas de pintura. Pintava quadros expressivos, relaxava na arte e nas cores. Quando teve a ideia, o irmão mais velho disse que isso era coisa de gente que não tem o que fazer. Mas ela, como fez toda a vida, dizia que a arte a fazia mais feliz.

Hoje ela tem uns quarenta e poucos anos e faz curso de culinária. Chega em casa e coloca música clássica para tocar enquanto prepara o jantar para o marido. Na parede da cozinha estão algumas fotos de natureza, flores, pessoas queridas. Enquanto ele (o marido) não chega, ela senta no sofá e aprecia seus quadros pintados a alguns anos atrás, dois deles inclusive foram premiados. Quando o marido chega, recebe um beijo de boa noite e depois do jantar os dois se sentam juntos para assistir um filme de comédia, romance, e até ação, nos dias mais tranquilos.
Até agora não virou uma artista famosa, e não conheceu o marido no litoral. Descobriu que nem toda música se encaixa perfeitamente em casa situação cotidiana. A bateria de sua máquina fotográfica infelizmente uma hora acaba. Desenvolveu uma alergia a removedor, e teve de largar a pintura. Mas apesar de tudo, é feliz. Sonha e vive feliz. Prefere até hoje manter os pés um pouco fora do chão. Sua vida é boa, muito boa.

O irmão mais velho, a uma hora dessa, deve estar em algum bar tomando uma cerveja, com a barriga grande que parece que vai dar à luz. Sem hora para chegar em casa, divorciado e com três pensões para pagar, pode beber a vontade, sem se preocupar com a casa suja e a luz cortada. Conversa com os amigos, aqueles que ainda estão um pouco sóbrios, sobre mulheres, problemas financeiros, política. Um deles, velho conhecido, vai perguntar por sua irmã. Ah, aquele maluca, vive se metendo em cursos, vive no mundo da lua não bate bem. Ele sim tem os pés no chão, vive a realidade. E é isso sim, é importante.

A Rotina


Rotina. Esse era o sinônimo de sua vida. Se era pacata, deixo a opinião ser livre nesse ponto. O que é pacato para mim não é para o outro. Talvez para ele não fosse. Rotina não tão cansativa, mas toda rotina não é? Ah, é verdade, existem rotinas gostosas. Rotina então não tão cansativa, mas também não tão gostosa. Apenas rotina.
Suas manhãs eram sempre iguais. Acordava com o som do despertador vermelho antigo que herdou do avô, tomava café preto e comia pão com margarina, uma ponta de faca distribuída numa fatia de pão de forma integral, e ia para baixo do chuveiro. Nunca aceitou a ideia de que comer e tomar banho em seguida fazia mal. Desafiava o senso-comum todos os dias. Usava xampu de leite e mel, sabonete neutro amarelo. Suas roupas tinham a mesma modelagem, com diferença de seus tons de marrom, cinza, bege.
Tirava o Pálio da garagem e dirigia sempre pelo mesmo caminho. Nunca procurou um trajeto alternativo, e acho que não existia mesmo. No caminho, as mesmas árvores, casas, pessoas. Ele não conhecia muita gente, não era muito sociável. Mas quando conhecia, colocava a mão para fora num gesto de cumprimento.
Trabalhava no cubículo do escritório que tinha a mesma aparência e organização desde sempre. O diploma da faculdade de administração num canto da parede, mas ele nem dava mais importancia. Mal se lembrava daquele tempo, onde ia, estudava, voltava para casa sem ser notado. Na formatura, quando chamaram seu nome, alguns colegas até estranharam, não lembravam de nenhum Jorge Silva.
Jorge Silva. A mãe podia ter colocado um nome que me fizesse diferente. Jorge, tão comum, ele pensava. Mas quando a possibilidade de um nome muito dificil ou muito... digamos, diferente, assim, MUITO diferente lhe vinha à cabeça, ele aceitava seu nome antigo com muito prazer. E não tinha ideia do que se chamaria, se um dia pudesse mudar seu nome. O sobrenome ele aceitaria qualquer outro. Silva todo mundo tem. Um nome estrangeiro, alemão ou inglês seria bom. Mas a ideia também passava rápido em sua mente. Não sabia alemão, nem inglês, e com medo de não saber dizer o próprio sobrenome, esquecia a ideia rapidamente.
Suas tarefas não eram dificeis, arrumar papel aqui, mandar imprimir, grampear, mandar para outro setor. Fazia isso automaticamente.
No almoço comia seu sanduíche de atum com maionese, uma folha de alface e uma rodela de tomate no meio. Um colega o via, cumprimentava, saía.
18:00h. Voltava para casa pelo mesmo caminho, mesmas árvores, casas, pessoas.
Abria a porta e se deparava com o mesmo silêncio profundo. Não tinha gatos ou cachorros. Era alérgico. Comprou um peixe uma vez mas esqueceu que tinha de alimentá-lo. Passarinho lhe dava dó.
Tomava outro banho, colocava o pijama listrado, lia o jornal com uma xícara de leite quente em uma das mãos.
22:00h estava pronto para dormir. Arrumava o travesseiro nem tão alto, nem tão baixo. Uma almofada nos pés, edredon de algodão azul. Sozinho, sem ninguém para conversar ou abraçar, olhava para o teto. Estava acostumado com aquela vida. Vida boa, dizia o Marcos do escritório. Será? Dormia antes que pudesse notar.
Assim era sua rotina todos os dias de todos os meses de todos os anos desde seus 30 e poucos anos, quando saiu da casa dos pais para morar no apartamento pequeno do centro da cidade.
Um dia porém, pensou estar cansado de fazer as mesmas coisas. Olhando para o teto, eram 22:30h, decidiu e prometeu a si mesmo que o dia seguinte seria diferente. Levantou da cama e com seu pijama mesmo foi até o mercado. Voltou uns 15 minutos depois com uma sacola verde na mão. Deitou novamente e dormiu.
Na manhã seguinte, antes de entrar para o banho (após acordar e tomar café preto com pão e margarina, uma ponta de faca distribuída em uma fatia de pão de forma integral), tirou da sacola verde um frasco de xampu. Prometi a mim mesmo que hoje seria diferente, lembrou. E foi. O xampu dessa vez, era de camomila.

C'est la amour

Sente-se no fundo do peito um arrepio sem tamanho.
O coração da alma, e não o do corpo, se enche de tal forma que faz o coração do corpo bater forte.
Mãos suadas, olhos fixos no relógio que parece descansar. E ele tem que andar, e andar depressa.
É diferente. É bom.
Nada mais é igual.
Cada palavra é poesia, mesmo sem rima. Cada olhar conta. Cada gesto fala.
O silêncio diz coisas lindas.
A chuva faz parceria com o sol.
É constante. É certo.
Dificil explicar quando não se sente.
Dificil expressar o suficiente quando se sente.
Mas não impossível.
Nada é impossível.
É sem limites, é divino.

E nem é primavera.

Manhã Produtiva


Levantei por volta das seis e meia da manhã, tomei um banho morno e acordei. Sim, acordei depois de levantar. O sono era muito, pesava minha cabeça, parecia por uma fração de segundo que não aguentaria o peso e inverteria a posição de meu corpo, pés para cima e cabeça de base. Mas passou. Tomei um café não muito reforçado, um pouco de achocolatado frio, o calor não me permitiu café com leite quente. Saí em cima da hora, e foi a única vez que cheguei com três minutos de atraso.
A escola estava quieta demais para uma segunda-feira. Estranhei, e quando entrei na sala, não havia ninguém. Lembrei então que as crianças seriam liberadas mais cedo e concluí que as mães, pais, ou responsáveis preferiram não mandar os filhos. O silêncio era bom.
A professora logo me cumprimentou, ela também não parecia muito animada. Fazendo seus afazeres, eu fiquei sentada em meu lugar, pensando. Logo ela começou a limpar embaixo das carteiras, folhas sulfite e outros tipo de papel. Ajudei, sem ser requisitada para tal tarefa. Feita a limpeza, olho no relógio. Oito e pouquinho. O intervalo seria meia hora mais cedo. Enquanto o sinal não batia, li um pouco. O sinal bateu, comi bolo com suco e voltei ao meu lugar. Ela então (a professora, se você não se lembra mais), me pediu para tirar cinco sacos plásticos de cada pasta de cada aluno. E eu fiz. As pastas tinha quatro parafusos cada. Tirava o parafuso, contava cinco sacos, colocava o parafuso. Tirava o parafuso, contava cinco sacos, colocava o parafuso. Fiz isso cerca de 120 vezes. Sim, 120, trinta alunos, uma pasta por aluno, quatro parafusos. Tudo feito ao som de Green Day, Chico Buarque, Jason Mraz... Quando cheguei na última pasta, meus dedos polegar e indicador da mão direita ardiam, estavam vermelhos.
Terminada a tarefa, fui ao banheiro, deixei a água fria escorrer em minhas mãos. Meus dedos melhoraram. Voltei à sala, olhei o relógio. Dez e cinco. O silêncio que antes era bom continuava bom, mas o sono que me tomara de manhã voltava aos poucos. Abaixei a cabeça e lá fiquei. Acordei com a conversa moça da limpeza com a merendeira. Olhos pesados, provavelmente vermelhos, imaginei. meu braço estava marcado com o formato praticamente da minha cabeça, que não é pequena, após ser usado como apoio para meu sono.
Levantei, fui ao banheiro novamente. Olhei no espelho, e meus olhos não estavam vermelhos. Ergui meus óculos e passei uma água no rosto, novamente acordei depois de levantar. Feito o processo, saí do banheiro. Acho que ninguém notou que dormi. Fui à secretaria e assinei minha lista de presença. O sinal bateu mais cedo, cerca de oito minutos antes. Não esperei os oito minutos. Acenei para quem estava por perto, me dirigi ao portão e saí.
Quando minha mãe chegou com o carro e eu entrei, ela me perguntou se estava tudo bem. Eu disse que sim, pois estava mesmo. Mas não a incomodei com detalhes sobre minha manhã produtiva. Ela estava dirigindo, e dormir no volante não me pareceu uma boa ideia.

O sapato


Encostada na janela do ônibus, observando o caminho, ela viu um sapato jogado na calçada. Só um, marrom, de homem, de cadarço, meio gasto. Solitário, o sapato chamou a atenção da garota, que no meio de tantos problemas, era o que ela achava, parou de pensar na própria vida e nem notou quando entrou na vida do outro.
Do outro? É, do dono do sapato perdido. Mas se estava perdido, quem era o dono? Foi o que ela começou a se perguntar. Talvez um bêbado... ou melhor, um homem com problemas com bebida (sua mãe achava a expressão menos pesada). Tonto de tanto álcool perdeu o sapato e nem notou... chegou em casa e viu que estava sem ele, a esposa provavelmente brigou, deu sermão, disse que o dinheiro do mês era para comida e não para pinga. A mesma e velha historia de todos os meses, desde que perdeu o emprego fixo, começou a viver de bicos, e inconformado com a miséria que enfrentava, sem mais nada a recorrer, caiu no mesmo vício do pai, morto há dois anos, vítima de cirrose. As crianças eram pequenas demais pra entender, mas notavam quando o pai não vinha dormir em casa e chegava esquisito, dodói, a mãe dizia.

Mas e se não for o caso? E se o sapato for de alguém que foi assaltado e fugiu, correu tão depressa que nem deu tempo de recuperar o sapato perdido. A garota imaginou o bandido, no meio da noite com uma arma, talvez até de mentira, para dar o golpe no pobre rapaz que acabara de sair do serviço, apressado querendo chegar em casa para dormir. O garoto não tinha mais de 17 anos, magro e confuso, quase nada perto do rapaz já de uns 25, músculos bem definidos devido ao trabalho pesado que às vezes o ajudava com as contas do mês. Mas com uma arma na mão, o garoto magro e confuso se sobressaiu, deu medo. O outro não podia perder o dinheiro, e num ato de loucura fugiu, esqueceu o sapato, e o garoto fraco e sem velocidade ficou para trás esperando a próxima vítima. Não lembrava qual era o motivo de viver assim, assaltando gente honesta e trabalhadora no meio da noite, mas não importava mais.

De repente alguém jogou o sapato fora... não queria mais, não servia, não tinha utilidade alguma. Era assim, aquele sapato presenciara tantos momentos dificeis, acompanhou-o em toda a dificuldade, em todo o sofrimento pela reviravolta de sua vida, mas agora que tudo estava bem novemente, não serviria de companhia alguma. Fora substituído por um par de sapatos pretos, novos e lustrosos. Mas que falta de consideração, foi separado do companheiro, o outro sapato do par, e agora estava jogado na rua.

Quando voltou a si, saiu da vida do outro e o esqueceu no momento em que se deu conta de que já chegara a seu destino. Levantou e apertou o botão pedindo ao motorista para parar o ônibus no próximo ponto. Desceu, chegou em casa, tomou um banho, jantou. Antes de dormir, o sapato voltou-lhe a memória. Em sua oração, pediu a Deus para que zelasse pelo dono do sapato perdido. Qualquer que fosse ele.

Tijolos verdes

Era uma parede com tijolos verdes.

Verdes? Sim, verdes! Que estranho, só conhecia tijolos vermelhos. Os da casa da minha avó eram vermelho vivo! Vivia desenhando neles com giz... depois jogava água e limpava, ficava tudo limpo e eu tomava limonada. Era bom!
Mas devem ser pintados de verde... ah são, sabia! O avó da prima da minha amiga pintou seus tijolos de amarelo, para combinar com a cor das paredes, também amarelas, mas de outro tom. Um dia ele cansou da cor e resolveu pintar tudo de novo, de branco. Mas essa parede nem é verde, ou qualquer outra cor que combine com verde. Ah, mas já está gasta a tinta, deve ser antiga.
O que leva uma pessoa a pintar seus tijolos de verde se nem combinam com as paredes? Talvez sejam loucos, ou queiram ser diferentes. Conheço pessoas que adoram ser diferentes. Mas o que é ser diferente? Todo mundo é igual a alguém, e todo mundo não é igual a ninguém. Nossa, que confusão agora. Mas a parede de tijolos verdes é realmente diferente. Qual será o motivo do verde? Porque não azul? Tijolos azuis seriam legais. Se claros, combinariam com o céu de dia, e se escuros, com o céu de noite. Mas e se chovesse? Dá pra pintar alguns de cinza, assim tudo combina!
Ora, deixe de ser boba, o que leva uma pessoa a se importar tanto com meros tijolos? Já está mais louca que o dono da parede de tijolos verdes... Será ele louco? Mas de louco todo mundo tem um pouco, não tem? Chega disso, e chega de tijolos.

Eram apenas tijolos verdes.
Viu-se um trovador,
Com amor ardendo sem se ver
Praticando o Carpe Diem
com toda a simplicidade.
O ar romântico era grande,
ao lado da casa do Sr. Brás.
E na escada do cortiço,
Lia Bandeira e
Ouvia Vinícius.

Desde que eu me completei

Desde que a semana cresceu
Os dias parecem mais longos
Desde que você apareceu
Os dias parecem mais longos
As horas não esperam,
O sorriso singelo aparece ao seu lado
E tudo que eu sinto é um grande reboliço
Arrepio no cabelo molhado...
Mãos que se encaixam, e eu
Adoro o jeito como você ri
Os meus domingos não se resumem mais
A encarar e conversar com a parede
Pra nós, amor, o sinal é sempre verde

Desde que não tenho mais medo
Meus pés não tocam o chão
Desde que não é mais segredo
Meus pés não tocam o chão
Só um telefonema,
Resolve meus problemas, me sinto outra pessoa
Antes de dormir, sonhar e refletir
Dizem que eu tô rindo à toa
Gostos que se encaixam, e eu
Adoro o jeito como você olha
Os meus domingos não se resumem mais
A encarar e conversar com a parede
Pra nós, amor, o sinal é sempre verde

Desde que acreditar vale a pena
Só tenho a agradecer
Desde que não é só cinema
Só tenho a agradecer
Nem dá pra acreditar
Quando eu páro pra pensar se tudo isso é de verdade
Sentir os teus abraços, flutuantes são meus passos
O céu não tem mais tempestade
Palavras simples, e eu
Adoro o jeito como você fala
Os meus domingos não se resumem mais
A encarar e conversar com a parede
Pra nós, amor, o sinal é sempre verde

Desde que eu me completei
Sei o que é ter certeza
Desde que me apaixonei
Sei o que é ter certeza...

Stefany Nunes

Se isso for um sonho
Por favor, não me acorde

Única necessidade

Eu não preciso de flores
Eu não preciso de presentes
Eu não preciso de sacríficios
Eu não preciso de mudanças
Eu não preciso de privilégios
Eu não preciso de riquezas

A única coisa que eu quero
É a certeza.


Stefany Nunes

The End

Um lindo pôr do sol
Numa paisagem bucólica.
O beijo na montanha com
Certo clima melancólico
Romantismo pairando no ar
dá a conclusão de felizes para sempre.

Então, música tocando diminui
E os créditos começam...
Hora de voltar para realidade.

Stefany Nunes

Momento... gíria revoltada

Hora de virar o jogo, cara
Só porque você quer que eu vou cair...
Nunca!
Vou ficar firme e forte, se você é quente
Eu to fervendo, como dizem por aí.
A parada aqui é séria, saca?
E antes que me encha
Vai lamber bunda de vaca!


Stefany Nunes

Suficiente


Não importa se desacreditam
Eu acredito, e isso basta.




Stefany Nunes

Breve momento de poder absoluto

Eu tinha, naquele momento
O topo da montanha
O vento frio cortando meu rosto
A paisagem ao fundo,
O céu azul e a solidão
Eu tinha, naquele momento
O mundo.

Stefany Nunes

O sol se pôs

O sol se pôs no meu dia ensolarado
E por um momento, eu achei que estivesse perdida
Os raios do sol não iluminam mais meu caminho
O que fazer? Aonde ir?
O calor do sol não me esquenta mais
E eu sei que o frio vai tomar conta de tudo
Parei por um momento no meio da escuridão
Escuridão essa que era pior a dois segundos atrás
O medo quis tomar conta de meu ser
Mas por algum motivo, não sei explicar
Eu não deixei. Eu fui forte.

O sol se pôs no meu dia ensolarado
E por um momento, eu achei que estivesse perdida
Os raios do sol não iluminam mais meu caminho
O que fazer? Aonde ir?
Já sei! Vou ficar aqui mesmo, assim não me perco
Mas e o frio? Ah!, tenho um casaco na mochila
Escuridão? Não. Olhei para cima
E pequenos astros brilhavam sem parar.
É, vou ficar aqui mesmo. Sozinha?
Não, eu tenho a lua, que hoje sorri para mim.

O sol se pôs no meu dia ensolarado
Mas depois desta noite
Ele vai voltar, eu sei que vai!

Stefany Nunes

Imensidão azul

E na imensidão azul
O barco vai conforme a onda o leva
E o vento vem pra ajudar
Não sei se chove ou neva
Talvez o calor do sol ajude
O mar atravessar
O frio cortante logo logo vai
Passar
E na imensidão eu me perco
A pensar...

Stefany Nunes

Lembro

Lembro quando o telefone tocava
Pequena, eu ainda não atendia
Mas se era ela, eu sempre sabia
Lembro que sempre havia uma supresa
No canto do quarto, em cima da cama
E vendo a expressão eu pensava: você não me engana!
Lembro que cresci indo lá aos domingos
Almoço, geralmente, acompanhado de danoninho
E no fim da visita, sempre estava com soninho
Lembro que de repente, me vi em uma confusão
E por mais criança que fosse, eu entendia o que ocorria
Tempos díficeis chegaram, e alguém então partia
Lembro que a situação mudou tudo
E que na grande casa eu ganhei um quarto
O quintal grande, o porão, o canteiro com mato
Lembro que em um passeio, ela então passou mal
Não foi decisão difícil a nova mudança
E naquela época, eu quase já não era criança
Lembro dos poucos anos juntas,
Conversando todo o dia
Compartilhando alegria
Lembro que nem tudo foi fácil
E por um tempo terrível passamos
Mas por fim, graças a Deus, superamos
Lembro de um tempo alegre e contente
Do lanche da última viagem
Da descrição de cada paisagem
Lembro de receber a notícia ao chegar da escola
E no momento ficar sem reação
No dia seguinte eu percebi meu partido coração
Lembro do sentimento apertado
Da aberta e profunda ferida
E de não ter tido chance de despedida
Lembro que demorou um pouco para aceitar
Mas por fim a vida ajudou
E o sentimento de tristeza aos poucos passou
Lembro de perceber que apesar
De todas as coisas ruins, as boas
Se tornaram maiores na pessoa
E ainda sinto sua falta
E na memória tenho o amor estranho
Mas que foi de verdade e sem tamanho

Stefany Nunes

Máscara


Olha no espelho e muitas vezes não vê
O que deseja, o que realmente quer ser
Sabe que um dia a máscara ali surgiu
E do seu rosto nunca mais saiu

Faz de tudo para agradar
Mas por dentro sabe bem o que é chorar
Ouve todos e tudo, mas não pode ser ouvida
Mãos tremulas, frágeis, alegria perdida

E pensam muitas vezes, que é aquilo que vêem
E que nada no mundo pode mudá-la, porém
A vida se rebela, e se revela, e ela finalmente enxerga
Que mais do que bela pode ser
Se a máscara deixar se remover

No canto escuro pensa, e reflete a situação
Será que vale a pena demonstrar a perfeição?
Sabe que um dia, o mundo vai ouvir seu grito
Grito de liberdade, e bem menos aflito

E pensam muitas vezes, que é aquilo que vêem
E que nada no mundo pode mudá-la, porém
A vida se rebela, e se revela, e ela finalmente enxerga
Que mais do que bela pode ser
Se a máscara deixar se remover

Como foi parar lá? Será que é culpa sua?
A verdade que está muitas das vezes obscura
Sozinha olhando a simples paisagem
E no fundo só querendo liberdade
Mas a máscara ainda está lá
Irá um dia ela desapegar?

Stefany Nunes

Se a vida for


Se a vida for a música,
Ponha a banda para tocar
Ponha o grave, ponha o agudo
Deixe o instrumento te levar

Se a vida for um filme
Tenha um lenço já em mão
Virá drama, virá choro
E por fim, a exaltação

Se a vida for a dança
Dance valsa com firmeza
Um passo de cada vez
Com toda a delicadeza

Se a vida for um livro
Prepare-se para rir
A comédia tomará conta
Você vai se divertir

Se a vida for teatro
Atue forte, sem desistir
Muita gente no final
Ficará de pé para aplaudir

Se a vida for viagem
Que a bagagem esteja à mão
Guarde cada lugar, cada lembrança
Esteja você a pé ou de avião

Se a vida for fotografia
Deixe a camera preparada
E fotografe cada segundo
Cada passo deixado na estrada


Um dia a banda vai parar,
O filme vai acabar,
A dança vai encerrar,
A última página do livro vai chegar.
A cortina vai se fechar
A viagem vai terminar
E a fotografia amarelar
Mas quando isso acontecer
E o sentimento de missão cumprida aparecer
Você vai ter a certeza, de que com coragem
E muita destreza
Fez da vida o espetáculo,
E será único e grato
E então você vai partir
E mesmo não mais aqui
A sua história, o mundo ainda vai sentir.
Stefany Nunes

O meu filme seria assim

A música tocando
Bailarinas vem dançando
Nesse sonho de infância
O meu filme seria assim

Eu falaria pros atores
Atenção, ó meus senhores
Diga aqui, olhe pra lá
O meu filme seria assim

Uns cenários coloridos
Uns bem verdes, bem floridos
Preto e branco, sem lugar
O meu filme seria assim

A cadeira do diretor
O chapéuzinho de pintor
A magia no olhar
O meu filme seria assim

Danças novas e canções
Amores, muitas ilusões
Alegria, fantasia!
O meu filme seria assim

Stefany Nunes

Bruto

Posso dizer que ainda sou o bruto
Que aos poucos, espero, vai ser lapidado
A dúvida vai sumir, uma nova vai surgir
O poético ficará intenso
O intenso ficará poético
Que sei eu do meu futuro,
Ou do que vou fazer
O que vou ler,
O que vou escrever?
Mas espero fazê-lo com vontade
O inesperado que me acompanhe
Independe a situação
Do bruto para o lapidado
Mas nem de longe para a perfeição

Stefany Nunes

Just a few words

Maybe someday,
One day far away
You'll look at me

Stefany Nunes

Decepção

Olhos molhados
Virados para a janela
Observando a chuva calma
Cair no jardim
Olhos cansados que revelam
Lá no fundo o sofrimento
Quer abrir os braços ao vento
Nunca foi cruel assim
Lá no fundo
A solidão que se mistura
Com o rancor que um dia
Nasceu e de lá não saiu
Decepção imensa e forte
Que bate a porta do coração
Partido e sem conserto
A ingenuidade foi tão grande
Não sabe como não pôde ver
O que antes era mágico
Agora só quer esquecer
Stefany Nunes

Foram

Foram bons tempos,
Tempos que não posso mais viver
Tempos que passaram rápido
E eu fiquei sem perceber

Foram boas conversas,
"Papos cabeças" até altas horas
Conversas sérias, outras nem tanto assim
Conversas que se foram sem demora

Foram boas risadas
Tantas vezes eu fiquei quase sem ar
As histórias mais hilárias
E os sorrisos soltos por todo o lugar

Foram muitas lágrimas
De alegria e de tristeza pude viver
Lágrimas que marcaram e que eu sei
Que nunca mais vou esquecer

Foram bons amigos
E de modo algum deixaram de ser
Amigos que apesar da vida e seus caminhos
Serão impossíveis de esquecer

Stefany Nunes

Autorretrato

Eu seria o tipo "bobinha",
Aquela que vê tragédia na TV e pensa
"Com o tempo, tudo vai melhorar"
Seria aquela que discute e pede desculpas
Mesmo estando certa, e sabendo disso
Aquela que é mimada e escandalosa
A que fala alto, a que discute, que é grossa
Aquela que sabe ser muito chata, mas também sabe ser legal
A que muitas vezes é feita de boba
Aquela que tem seus momentos meigos
Eu seria aquele tipo de garota esquisita
Aquela que tem gosto eclético
A que nem de longe tem corpo esquelético
Aquela que é contra passarinho em gaiola
Que defende os animais, mas não é vegetariana!
Eu seria, de verdade e com sinceridade
A antítese...
Eu seria aquela vive cada segundo
Que reflete vendo a chuva cair lá fora
Que abraça vento secretamente
Seria aquela que ora por todos que pode
Que fica triste quando algo não dá certo
Aquela que muitas vezes sofre em silêncio,
Que não acredita em sorte
Que mesmo decepcionada, não desiste e acha que um dia
Tudo dará certo
Eu seria, eu fui, eu sou
Aquela que sozinha ou acompanhada,
Busca dentro de si a luz que sabe que existe
A mulher que persiste
E a menina amedrontada
Aquela que não tem medo de tempestade
Mas grita quando vê inseto
Aquela que sempre arranja espaço
A que sempre precisa de um abraço
Eu sou aquela que observa de longe,
E conta as horas para o sentimento
Aquela que acredita que tudo que tiver que ser
será...
Eu sou aquela que assistiu muito filme de princesa
A que sempre quer ter certeza
Aquela que acredita no mundo
E em toda sua beleza,
Vendo a realidade, mas por dentro
Buscando o bem que muitas vezes se esconde
Aquela que confia fácil
E já se decepcionou tanto
Mas não consegue mudar
Aquela que grita, que esperneia
Que vai atrás do quer
Eu sou aquela que busca personalidade,
Força de vontade,
e mesmo com críticas e desapegos,
Busco as forças do alto, e assim
Não deixo que ninguém me atinja. ou
Consiga me derrubar.
Sou aquela que errou tanto, e aprendeu
Que já chorou por alguém
Mas que no fim do dia,
Busca dentro de si a alegria que
Sabe que tem.
Aquela que consegue se descrever
Que vê em si mesma seus defeitos
Mas sabe mostrar suas qualidades
Aquela que adora aniversário
Eu seria a que ama presentes
A que quase sempre é contente
Aquela que gosta de frio e chuva
A que do caminho faz cada curva
Sou nada de menos, nada demais
Aquela que vive a vida com vontade,
e tenta nunca olhar pra trás.

Stefany Nunes

Contos reais


Lembro quando Cachinhos Dourados foi na casa dos três ursos e comeu todo mingau
Lembro quando o Shrek acolheu o Burro e fez com ele se sentisse especial
Lembro quando a Cinderella correu pela escada e esqueceu o sapatinho de cristal
Lembro quando a Chapéuzinho, por desobediência, quase virou ração de lobo mau

Foram coisas simples, hitórias engraçadas que para mim marcaram para valer
Foram coisas bobas, muitas palhaçadas, que me fizeram rir até chorar
E nessas coisas bobas, não posso esquecer que tudo foi mentira verdadeira
Bons tempos são aqueles em que os contos de fadas são reais e ninguém pode negar

Lembro quando os sete anões, todos felizes, dançaram em volta da lareira
Lembro quando o Nemo foi teimoso com seu pai e acabou pego por uma peneira
Lembro quando Ali Babá e os 40 ladrões encheram de ouro uma caverna inteira
Lembro quando a Bela adormecida fez aniversário e fadinha foi bancar a faxineira

Foram coisas simples, hitórias engraçadas que para mim marcaram para valer
Foram coisas bobas, muitas palhaçadas, que me fizeram rir até chorar
E nessas coisas bobas, não posso esquecer que tudo foi mentira verdadeira
Bons tempos são aqueles em que os contos de fadas são reais e ninguém pode negar

Stefany Nunes

Mudanças


Não é mais uma criança
Mas não é adulto ainda
Segue como sempre os passos
Da velha dança
A responsabilidade
Bate à porta com vontade
Toc toc toc : Me deixa entrar
Nada é tão longe assim
E o complicado parece simples,
O horizonte já se forma
Vem dançando os velhos passos
Vem cantando a toda hora
Nada é tão complicado
Nada é emaranhado
Vem com tudo, vem com o nada
Segue agora outra estrada
O futuro a Deus pertence
Sabe lá se se sente como gente
Mas o igual agora é diferente.

Stefany Nunes

Ninguém

Ninguém vai mudar por mim
Se quero, eu tenho que seguir
E seguir sem desistir
Ninguém vai torcer por mim
Mas eu tenho minha maior torcida
Tenho garra, confio na vida
Ninguém vai ficar por mim
Mas eu tenho algo maior
Algo bom, algo diferente
Algo estranho, sem remetente
Ninguém vai amar por mim,
Mas eu amarei por todos.
E as línguas vão calar
E vencerei todos os tolos.
Ninguém vai vencer por mim,
Mas no final vou triunfar
O caminho vai se abrir
e o "ninguém" não vai mais me incomodar.
Stefany Nunes

Inspiração


Inspiração vem do alto
Vem de baixo e vem dos lados

Norte, Sul
Leste e oeste
E as frases se formam
Nada a comparar,
Uma vez lá
Nunca mais cá

Inspiração vem do nada
E se vai como as estações
Inspiração que me dá
Poemas, versos e canções

Stefany Nunes

Dia ruim

Dormir parece a solução!
E não, não é depressão
É apenas um dia ruim
Que com sorte, será seguido de um dia bom!
Talvez sim. Talvez não.
Quem sabe?

A única coisa que sei
É que hoje, dormir parece a solução.
Olho no espelho e não vejo nada.
Nada demais, mas algo de menos.
Me falta o brilho que geralmente sei que tenho
Me falta o ânimo, me falta a empolgação
E nada posso fazer! Tento tento tento
Mas não consigo a solução

Detesto os dias ruins
Em que a auto estima
Que já está em baixa,
Vira um pó insignificante!
E por mais que eu tente desabafar,
Ou me explicar
Ninguém vai entender.
Porque ninguém vai conseguir compreender!

Nesses dias, o tédio fica entediado
E nem com ele posso eu contar
A internet parece ser inútil,
e nada de interessante me chama a atenção!
Não vou dizer que o sol parece não brilhar,
ou coisas assim,
Isso seria ainda mais "sem noção"
Mas afirmo concerteza,
e podem me criticar, e me dizer que não dou valor
Estou em um dia ruim, então por favor
Me deixem dormir!

Stefany Nunes

I have found


People just keep asking me where is my love

The feeling love

I keep answering that he's safe with me

They don't believe me

They think I'm lying

They say that I still haven't found my love

...

But seriously, I am not lying

I have found my love!

He just doesn't know that yet

But one day, he will

...

I hope so


Stefany Nunes

Poesia = Rima

Terremoto
Maremoto
avião
atenção
alegria
sua tia
dança
criança

Para muita gente, poesia é só com rima

Stefany Nunes

Cansada

Complicada
Muitas vezes saturada
Apenas palavras simples
Gestos singelos
Discreta, mas inquieta
Busca nele a atenção
Tenta ouvir a razão
Afogada na emoção
Já foi decepcionada
E tenta não olhar pros lados
Olhos tristes, abafados
Sonhando sempre e sempre
Com o brilho que promete vir
Mas nunca chega a seu encontro

Complicada
Muitas vezes saturada
Cansada

Stefany Nunes

Domingo de sol


E em uma tarde ensolarada de domingo:
Chuá, Chuá...


Chuá, Chuá...


Chuá, Chuá...


E na noite, daquele mesmo domingo:

ZzZzZzZzZzZzZz

Stefany Nunes

No avesso

O coelho atrasou, e a Alice pirou com o relógio na mão
Branca de Neve perdeu o sapatinho, e a Cinderella limpou o pequeno chalé
As pessoas começaram a sentir roma, e a torre de Pisa fica agora em Amor
As nuvens criaram flores no chão, e a grama agora faz chover e forma desenhos
A vaca botou ovo, e a galinha foi pro brejo
A boneca de pano caiu e quebrou, e o cisne de vidro caiu e não se machucou
O imã fugiu da geladeira, e lá dentro tudo estava quente
A chuva passou e secou, e o vento caiu e molhou
O nariz viu, e olho ouviu, e o ouvido cheirou
A cobra voou e o passarinho rastejou...

Em um segundo tudo mudou,
No avesso, errado, ao contrário
É... aquele sonho realmente foi hilário!

Stefany Nunes

Sete


Sete cores do arco-íris
Sete anões
Sete notas musicais
Sete dias na semana
Sete pecados capitais
Sete maravilhas do mundo
Sete erros
Sete mares
Sete conversas paralelas
Sete olhares discretos

Sete letras... e tudo o que eu sinto,
Explicado em sete segundos.

Stefany Nunes

Resumo Semanal



Rá, se eu fosse descrever
Cada coisa que me acontece!
E não dá pra evitar,
Tem que rir pra não chorar!

Corta o dedo, o corte inflama,
Ombro machucado, pomada pra sarar
Pomada no olho, meia hora sem enxergar
Tombo e hematoma,
Mas espera, ainda tem mais!
Queimadura no rosto,
A semana foi uma zona!

Só espero que o fim de semana
Seja melhor e sem lesões...
Sem esparadrapos,
Pomadas ou injeções!

Stefany Nunes

Baseado em fatos reais! :S
No ritmo do Pop
com o espírito do Rock
Dança um flamenco maneiro
Ao som de um pequeno pandeiro

Stefany Nunes

O que acontece quando falta a inspiração

A ideia simplesmente não vêm
E a mente aberta permanece vazia
Sem palavras a serem ditas,
Sem rimas a serem escritas.

Stefany Nunes

Sozinho no deserto


Sozinho no deserto
Nada bom por perto
Futuro incerto
E foi dado o decreto

Amigos não bastaram
Amores não duraram
Dinheiros não compraram
E as lágrimas amarguraram

Horizonte perdido
Ouro corrído
Nenhum rosto conhecido
Todo o choro parecido

Sozinho sem ter nada
Sozinho sem estrada
Alegria desperdiçada
Vida sem paradas

Sozinho no deserto
Nada de bom por perto
Futuro incerto
E foi dado o decreto

Areia cortante
Sol escaldante
Pessoa sem mente
Felicidade distante

Sozinho no deserto
Esperando o incerto
Precisando de repente
De uma vida diferente

Nada pode me ajudar
Pernas bambas vão falhar
O cansaço toma conta
Corpo mole então desmonta

Sozinho no deserto
Nada de bom por perto
Futuro incerto
E foi dado o decreto

Stefany Nunes

Cão gato rato coelho


Viverão como cão e gato
E o gato vai querer pegar o rato
Mas o coelho ficará quieto em um canto
Enquanto come uma folha de alface
O cão vai querer persegui-lo
Mas seus pulos serão mais rápidos
E não podendo competir,
Vai querer voltar pro gato
Que estará de olhos bem abertos,
Observando o pequeno rato

Típica história, mas somente daqui a algum tempo.
Por enquanto serão amigos.
Por enquanto.

Stefany Nunes

De cortina para tapete

E as flores floreceram como nada antes visto
E ainda que ninguém notasse, eu notei
E as flores caíam sobre os galhos inferiores
E formavam uma cortina vermelha
E os olhos se enchiam com aquele milagre natural
E continuaram cheios durante toda a estação
E durante a seguinte...
E então as flores começaram a cair
E uma a uma alcançavam o chão
E logo o solo ficara coberto por elas
E a cortina vermelha virou tapete vermelho
E foi quando eu percebi que o outono tinha chegado

Stefany Nunes

Respeitável público



E a grande cortina se abre
Olhos excitados, curiosos
Qual será o espetáculo?
Então os artistas começam a entrar...
Um por um, proporcionando magia,
Suspense, emoção!
Mas dentre todos eles, existe uma!
Uma pessoa em destaque, que chama a atenção
de até os mais distraídos!
E ela entra cantando, dançando,
E a mágica toma conta do lugar!
APLAUSOS! APLAUSOS!
Nada a ela, se pode comparar.

Mas por dentro, a estrela não brilha mais...
Ninguém sabe ou desconfia da infelicidade e agonia
Carregados por aquela que traz sorrisos aos outros.
Enquanto atua, ri por fora e chora por dentro,
E ninguém pode ajuda-la.
Ninguém!
Mas em qualquer situação, o show tem que continuar
Quando tudo estiver acabado,
Sozinha, em seu camarim, as lágrimas virão
Mas isso apenas depois
Que a grande cortina se fechar.

Stefany Nunes

O frio

A parede parece não me proteger do vento forte e frio.
Me encolho em minhas pernas, tentando me aquecer com meu próprio calor.
Mas é inútil. Tudo o que tento, é inútil.
Já sei que será outra noite mal dormida,
Outra noite em que o frio cortante fará meus ossos doerem.
O que me resta a fazer é imaginar um sol no lugar da lua fria
Na esperança de seu calor aliviar meu sofrimento,
Meu corpo gelado e solitário,
Buscando abrigo em um viaduto qualquer.

Stefany Nunes

Olhos



Olhos profundos.
Olhos que mostram a alma.
Olhos belos.
Olhos que me trazem calma.
Olhos que dizem
Muito mais do que eu quero ouvir
Olhos sinceros,
Muitas vezes singelos.
Olhos que me fazem sorrir.

Stefany Nunes

Momento Poesia Alheia - MPA


Dera eu saber aonde meu destino vai dar.
Dera eu saber como irei chegar lá.
Dera eu ser dona do meu próprio rumo,
Sem ter restrições nem decepções.
Só sei, de verdade, que grande é meu sonho de um dia tudo o que desejo, conquistar !


Caroline Muniz - Cincão pela divulgação!


Jovem idosa

Não vou "pra balada".
Não bebo álcool.
Não fumo.
Não curto barulho. Prefiro o silêncio.
Livro ou boate? Livro!
Barzinho ou igreja? Igreja!
O point de sábado é no máximo um café.
Xadrez e buraco? Rá, tá no papo!

Sou uma jovem idosa.
Mas nem por isso a vida deixa de ser gostosa.

Stefany Nunes